Manifesto sobre a situação na fronteira entre Brasil e Venezuela
- ANPUH-RR
- 28 de fev. de 2019
- 3 min de leitura
Atualizado: 28 de fev. de 2019
Cidadãos brasileiros assistimos, preocupados, a escalada de conflitos contra a vizinha Venezuela, a que, para nossa maior consternação, adere o Brasil governado por J.Bolsonaro.
Trata-se de momento extremamente perigoso, em que a paz, tão duradoura no sub-continente, se encontra ameaçada pelo governo de D.Trump nos Estados Unidos. A intervenção norte-americana ora se traveste de ajuda humanitária, incluindo a linha seca Pacaraima/Santa Elena, entre seus possíveis corredores. Não será demasiado lembrar que instituições concernidas e respeitáveis, tais como a Unesco e a Cruz Vermelha, se recusaram a participar de tal ajuda, apontando o fato básico de que ajuda humanitária se define, sempre, por sua neutralidade e desinteresse, aspectos inexistentes na presente iniciativa norte-americana. Houvesse um grão de verdade nas alegações intervencionistas quanto à crise humanitária na Venezuela, seria de se esperar que os Estados Unidos levantassem o embargo que impuseram àquele país – embargo que responde, em larga medida, à crise em pauta. Como apontam especialistas, sob o pretexto de defesa da democracia – jamais aplicado à Arábia Saudita e a outros aliados fornecedores de petróleo – , os Estados Unidos pretendem avançar sobre a região, em busca do controle de enormes reservas de petróleo.
Não podemos nos calar diante desta violência, cujos efeitos serão catastróficos para a região. Todos aqueles que conhecem a fronteira Venezuela- Brasil podem testemunhar sua diversidade étnica, sua riqueza cultural, seu delicado ecossistema - feito do encontro único da floresta tropical com a savana –, declarado patrimônio da humanidade pela Unesco. A pequena cidade de Pacaraima, encravada na Terra Indígena São Marcos, é geminada à cidade venezuelana de Santa Elena do Uairén, constituindo um espaço integrado, de intensa mobilidade de pessoas e de circulação de bens – a população, indígena ou não, mantém estreitos vínculos de parentesco, trabalho e residência, de ambos os lados da fronteira. Não podemos permitir que tudo isso seja devastado pelo cálculo e pela arrogância de uma intervenção armada.
Conclamamos, assim, as forças democráticas na sociedade brasileira a que, efetivamente, se manifestem contra a intervenção armada na Venezuela e, em particular, contra o envolvimento brasileiro nessa desventurada iniciativa, de modo a honrar a tradição pacifista e não-intervencionista do país, inscrita em sua Constituição.
Declarando toda nossa solidariedade ao povo venezuelano, assinamos:
Nádia Farage, antropóloga Paulo Santilli, antropólogo Luiz Marques Filho, historiador Eduardo Caetano da Silva, antropólogo Ítala Maria Lofredo D’Ottaviano, matemática Enzo Lauriola, economista Elaine Moreira, antropóloga Marcelo Phaiffer, pedagogo Mauro William Barbosa de Almeida, antropólogo Sidney Chalhoub, historiador João Quartim de Moraes, filósofo André Augusto da Fonseca, historiador Kézia da Costa Lima, historiadora Cristhian Teófilo da Silva, antropólogo Alfredo Clodomir Rolins de Souza, historiador Carla Monteiro de Souza, historiadora. Centro Acadêmico de História da UERR Centro Acadêmico de História da UFRR Cleane de Souza Feitosa Schwenck, assistente social Comitê Estadual em Defesa da Escola Pública de Roraima Eduardo Gomes da Silva Filho, historiador Eliaquim Timóteo da Cunha, antropólogo Emanuel Rabelo, Professor e Historiador Érica Marques, advogada Francisco Marcos Mendes Nogueira, historiador Herika Fabíola Barros de Souza Oliveira do Valle, Professora de História Hsteffany Pereira Muniz Araújo, historiadora Inara do Nascimento Tavares, antropóloga Leonardo Rossatto Queiroz, Cientista Social Lucas Endrigo Brunozi Avelar, historiador Luiz Maito Jr., historiador Paulo Thadeu Franco das Neves, professor e jornalista Raimundo Nonato Gomes dos Santos, historiador Sandra Moraes da Silva Cardozo, professora Suely de Oliveira Marques, economista e pedagoga ANPUH RR (Associação Nacional de História, seção Roraima) ANPUH-Brasil (Associação Nacional de História)
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